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    Acompanho, todos os dias, mais de 30 feeds (que diabo é feed?) no Google Reader; enquanto estou em casa, estou sempre acompanhando o Twitter (o que é Twitter? pra que serve?); estou inscrito em mais de 20 redes sociais, além de estar sempre conectado aos serviços de mensagens instantâneas, como o Gtalk e MSN. Essa é uma pequena amostra do que é estar online hoje. Cansou? Calma.

    Estamos em plena era das mídias sociais, e elas não são modinha. Na verdade, mídia social é um termo que abarca tecnologia, interação social e produção de textos (no sentido amplo da palavra: conteúdos, significados): textos escritos, imagens, vídeos, áudio, novas aplicações e ações. Mas você ainda acha que as mídias sociais são modinha? Vamos a alguns dados:

    • 2/3 DA POPULAÇÃO MUNDIAL QUE ACESSA A INTERNET, visita sites de redes sociais.
    • A 4a ATIVIDADE ON LINE MAIS POPULAR são os sites de redes sociais, ultrapassando o uso do email pessoal.
    • O uso das redes sociais está crescendo 3 VEZES MAIS que o uso da internet, o que toma 10% de todo o tempo on line.
    • As mídias sociais estão criando uma forma diferente de DEMOCRATIZAR AS VOZES E AS INFORMAÇÕES.
    • As mídias sociais hoje são uma forma de BOCA-A-BOCA SINÉRGICO.

    Sim, a quantidade de conexões multiplica-se. Sim, a quantidade de informação com a qual temos que lidar todo dia acompanha essa multiplicação, mas calma.

    Walter Benjamim falava de angústia do débito, do simulacro, das obras de arte que nasciam já como cópias com o advento da reprodutibilidade técnica da arte. De modo semelhante, essa reprodução que vem sendo redesenhada com as mídias sociais estão desconstruindo, também, a tradição das formas de interação online e criando outras maneiras de produção de arte (sem entrar na discussão sobre o que é arte hoje) e, com efeito, alterando a percepção do que é arte, o que é cópia, o que é relevante. Nas palavras do Walter Benjamim:

    “(…) na época da reprodutibilidade técnica, o que é atingido na obra de arte é a sua aura. Esse processo tem valor de sintoma; sua significação ultrapassa o domínio da arte. Poder-se-ia dizer, de modo geral, que as técnicas de reprodução destacam o objeto reproduzido do domínio da tradição. Multiplicando-lhe os exemplares, elas substituem por um fenômeno de massa um evento que não se produziu senão uma vez. Permitindo ao objeto reproduzido oferecer-se à visão ou à audição em qualquer circunstância, elas lhe conferem uma atualidade. Esses dois processos conduzem a um considerável abalo da realidade transmitida: ao abalo da tradição, o que é a contraface da crise que atravessa atualmente a humanidade e de sua atual renovação. Eles se mostram em estreita correlação com os movimentos de massa que hoje se produzem.”

    É exatamente o que percebe-se hoje. Não só restrito ao campo artístico, mas informacional, social. A quantidade de informações, como uma nova variável na vida cotidiana do final da primeira década do ano 2000 (e isso não é nova novidade), vem impactar mais ou menos em como a reprodução técnica da obra de arte – que perde sua aura, que é colocada em perspectiva – se dá.

    A informação perdeu seu centro emissor, perdeu seu valor de verdade absoluta, sua univocalidade, sua linearidade, sua singularidade. Não vivemos mais a angústia do débito, o medo do simulacro, da repetição, da reprodução, pelo contrário, esse agora é o combustível que alimenta a produção e difusão das informações e fortalece os vetores e fluxos numa complexa rede multicentrada.

    As informações são transmitidas, retransmitidas, reproduzidas, distorcidades em velocidade viral e acompanhando um modelo caótico. Exatamente por isso, a informação em si não é mais o centro da questão e sim a relevância da informação. Estamos voltando à cultura oral (orientada pelos multimeios), à política do gosto (leia o post anterior que escrevi sobre a política do gosto).

    Estamos, finalmente, vivendo a angústia do crédito.

    Com tantas possibilidades, tantos suportes midiáticos e tecnológicos, redes sociais, celulares, webcams, serviços on line gratuitos de todo tipo, muitos se perdem nesse infinito universo e muitos se sentem acuados com a tarefa hercúlea de dar conta de tantos nós e conexões. Meu conselho? Além de usar filtro solar, desencane. Não queira acompanhar tudo, ler toda a sua timeline no Twitter todos os dias, ler todos os seus feeds no Google Reader, participar ativamente de todos os fóruns e sites e hypes. É inumado e inútil. Recorte e construa a sua “realidade”, como você faz com o papel de parede do seu computador.

    O que você conseguir acompanhar vai fazer algum sentido. Mesmo que você perca alguns pedaços no processo, facilmente vai chegar à informação que você quer, simplesmente porque hoje não somos nós que procuramos pela informação, a informação é que nos procura (via a hierarquia da relevância que é pessoal e determina nossos comportamentos online, os sites que visitamos, as pessoas que seguimos no Twitter).

    Essa parcialidade, esse enxergar apenas uma parte do infinito quadro do mundo, é muito interessante. Já está na hora de deixar os últimos tijolos do pensamento platônico de grandes verdades ruir. Não há monstro fora da caverna, não há uma resposta para todas as perguntas (42), há as boas perguntas, as boas ferramentas.

    As mídias sociais vieram mesmo para ficar, ainda que só enxerguemos as árvores e não a floresta (não temos como nos extrapôr ao que estamos vivendo hoje). O monólogo tem cada vez menos espaço, abocanhado pela força do diálogo, mas, não se engane, as mídias sociais não são a resposta para tudo.

    E não fique angustiado, a vida não é apenas uma questão de escolher entre a pílula azul e a vermelha… basta se lembrar que a colher não existe (”there’s no spoon”).


    Leia também:
    A política do gosto


    Update dia 02/09/09 às 16:17h: Aqui está um vídeo bem interessante mostrando a “revolução” das mídias sociais em 37 fatos (em inglês):

    Link para o vídeo

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    1. [...] Angústia do crédito no mundo das mídias sociais [...]

    2. ah. e eu vou fazer citação desse texto na minha dissertação. vou muito, vou mesmo, já é.

    3. e então, eu nem vou falar o que já falei por msn. só quero que você saiba que, ao meu ver, esse texto consuma a sua libertação da camisa de força acadêmica e geral. parabéns, meu amor. ^_^

    4. Mauro Lima disse:

      Neto,
      Hiperconetividade!!!
      Essa velocidade toda, essa reprodução “viral” que você menciona, se relaciona diretamente com as discussões o atual papel do ser humano no mundo. Todos os campos da vida social (pessoal e profissional) dependem hoje das relações que são construídas. E nesse cenário, independe se elas são construídas num papo com um cafezinho ou através das inúmeras redes que surgem todos os dias. Os saberes, a possibilidade da troca e do aprendizado estão disponíveis e ao alcance de todos. Cabe a cada um se servir da melhor maneira.

    5. Paullo Phirmo disse:

      Cara, perfeito! Perfeito! Há tempos escrevi algo sobre esta realidade… O escrito suncubiu à minha crítica, contudo transformou-se, em meio a tantas outras variáveis, num sentimento/pensamento – como bem você apontou – : a informação que precisamos chega até nós. A procuramos até uma medida, o resto é com o Universo. Seja “este”, que concepção tiver para cada um.

      Perfeito. Perfeitas suas colocações. Parabéns pela clareza de percepção!

      Abração.

    6. zanqueta disse:

      RT @Julio_Valentim: Muito bom o post do @ernestodiniz Angústia do crédito no mundo das mídias sociais http://bit.ly/o3SGz

    7. Paullo Phirmo disse:

      Ei? Tá angustiado (a) com tanta informação? Leia isso [http://tiny.cc/6tEsE] e relaxe. Pode confiar. Excelente!

    8. Sim, a quantidade de conexões multiplica-se http://bit.ly/cvdjY

    9. RT @Julio_Valentim: Muito bom o post do @ernestodiniz Angústia do crédito no mundo das mídias sociais http://bit.ly/o3SGz

    10. Ernesto Diniz disse:

      Update no post sobre mídias sociais e a angústia do crédito: http://bit.ly/Q1sMN. (Valeu pela dica do vídeo @Julio_Valentim!)

    11. Verônica disse:

      Ernesto

      Seu post fomenta um debate sutil e interessante sobre a informação e a formação.

      Se não deixarmos a “voracidade tecnológica da pressa informativa” (gostei disso-kkk) nos engolir, faremos das redes sociais elementos de composição de nossas identidades. E “isso não é nova novidade”, como vc mesmo alerta, é salutar, a atenção necessária para a distinção entre informação e percurso, determinação e escolha… Despejo de informação X tradução e sentido!

      Afinal, ” a colher não existe”!

      Parabéns pelo texto!

      Beeeeeeeeeeeeijos

    12. Uma luz para minha aflição diária!

    13. PRT: @ernestodiniz: Não consegue ler toda a sua timeline? Desencane: http://bit.ly/Q1sMN #mídiasocial

    14. Ernesto Diniz disse:

      Você se angustia de não conseguir ler toda a sua timeline, de não conseguir acompanhar tudo? Desencane: http://bit.ly/Q1sMN #mídiasocial

    15. Ligia Girao disse:

      Angústia no mundo das mídias sociais – http://bit.ly/cvdjY

    16. Ernesto Diniz disse:

      Angústia do crédito no mundo das mídias sociais: http://bit.ly/Q1sMN. Uma provocação sobre cultura, sociedade e tecnologia. #mindcasting

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