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    No final do século XX, com o desenvolvimento das tecnologias de informação e da comunicação e com a ajuda importante de políticas de desregulamentação e de liberalização adotadas por governos e instituições internacionais, o mundo tornou-se realmente globalizado. Desde antes, o filósofo e educador canandense, Marshall McLuhan falava sobre aldeia global, mas desde os anos 80 os dois termos tornaram-se, gradativamente, insuficientes para descrever o cenário sócio-cultural de hoje.

    Foi aí que surgiu a assepção glocalização, com a primeira citação explícita feita pelo sociólogo Roland Robertson que fundiu o global com o local. Esse novo paradigma foi uma forma de melhor descrever e compreender o que acontece hoje não só com a tecnologia, a partir da idéia da rede mundial de computadores (Internet), mas também num viés cultural, percebendo como a glocalização está acontecendo de formas e em níveis diferentes.

    A idéia é mesmo partir de meios globais de comunicação e produção para a criação de produtos locais, ou que tenham um toque local. E isso é multiplicado agora através da possibilidade que tecnologias como webcams, redes sociais e youtube criaram de produzir e difundir textos (texto aqui no sentido ampliado, além das letras). O que dita o limite não são mais as fronteiras ou as origens de certo texto (origem como um termo muito problemático, mas isso é assunto para outro post), o limite hoje é dado pela criatividade.

    Um exemplo interessante do poder da colaboração em meios tecnológicos é a Orquestra Sinfônica do Youtube. Veja o vídeo-convite:

    Link para o vídeo

    A Orquestra terminou virando uma grande metáfora da glocalização: com o maestro Tan Dun, compositor chinês comtemporâneo ganhador do Grammy e Oscar pelos filmes O Tigre e o Dragão e Hero, à frente como compositor da sinfônia do Youtube e maestro, junto com músicos de todo o mundo. Esses músicos foram selecionados a partir de vídeos publicados no site. Após os vídeos terem sido publicados, houve votação do público e avaliação de um júri composto por músicos de orquestras renomadas do mundo inteiro para a escolha dos finalistas.

    Veja o vídeo mashup com todos os vídeos dos músicos compilados:

    Link para o vídeo

    Os sortudos participaram de um grande show que aconteceu no Carnegie Hall, em Nova York (se tiver interesse, veja o primeiro ato da sinfonia aqui).

    Esse foi um dos grandes marcos da utilização da web como forma de sinergia e criação de eventos offline derivados de eventos online.

    Um outro exemplo bastante interessante de colaboração é o novo clipe da banda pop japonesa SOUR (veja o Myspace da banda) feito totalmente com webcams e participantes do mundo todo:

    Link para o vídeo

    Um exemplo de como apenas a criatividade pode limitar a produção dos textos hoje.

    Além de iniciativas na música, temos outras que envolvem quase todas as formas de expressão artística existente, seja através de vídeo, texto ou troca de ilustrações que correm o mundo através de um caderno moleskine (veja a Troca Internacional de Moleskine).

    Todos esses eventos mostram como as redes sociais e a tecnologia estão disseminando conteúdos locais em escalas globais e, ainda sim, criam marcas locais nessa globalização. Não há mais como falar apenas de níveis globais ou locais, os vetores que atuam nessas produções são múltiplos e concomitantes. Há uma clara sobreposição do individual e do comunitário.

    Esses são sinais de como as modificações tecnológicas e sócio-culturais estão modificando o trânsito dos textos.


    Leia também:
    Isso é glocalização, Revista Época online
    O fenômeno da Glocalização nas Redes Sociais, no blog De Repente

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    1. Não conhecia esses dois cases! Vou juntar à minha recém criada coleção no StumbleUpon!

      As coisas que estão acontecendo mais intensamente nos últimos 15 anos são tema para extensas reflexões!

      Vou copiar aqui algumas referências que passei por email:

      Tento colocar tudo que tenho a dizer sobre as transformações que nossa sociedade está passando lá no Meme de Carbono.

      Vale a pena ficar de olho no @cnepomuceno, @marthagabriel, @samadeu, @ninocarvalho, @raquelrecuero, @gilgiardelli, @ivanabentes… Nossa, como tem gente para indicar! Estou esquecendo alguns importantes com certeza!

      Sobre memes acho que a melhor explicação que já vi é a da Susan Blackmore no ted.com.

      Está rolando um curso no Pontão Eco sobre cultura digital e capitalismo cognitivo, no site deles tem algumas referencias bibliográficas interessantes.

      Legal seu blog, vou tentar conversar sobre isso por lá… Aliás, vou catar um post lá que tenha a ver com o assunto e copiar.

    2. mark disse:

      Viu isso? A primeira orquestra mundial e colaborativa, via YouTube?! >>> http://migre.me/6jFs [by @ernestodiniz]

    3. Ernesto Diniz disse:

      Cultura colaborativa e glocalização em: http://tinyurl.com/l2rh7j. #cultura #internet #global #local

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