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A primeira lembrança do rei do pop, pra mim, é clichê: o clipe Thriller. Me lembro perfeitamente do medo que senti quando vi aquele clipe. Creio que assisti a estréia no Fantástico (eu e a torcida do flamengo inteira), com os olhos arregalados, sem entender direito algumas imagens, a menina que estava em companhia de um cara tão sombrio, os efeitos especiais que me aturdiram. Mas eu não consegui deixar de olhar aquela dança mesmerizante, nem um só segundo.
Hoje aconteceu um dos momentos mais marcantes da televisão mundial e eu continuei sem conseguir desgrudar da tevê. Era o funeral do rei do pop.
Confesso que não fui um fã ardoroso do Ãdolo. Ouvia suas músicas quando tocavam, sejam em festas, pela rua, como fundo musical de aberturas de programas de tevê, nas rádios que teimaram em repetir alguns hits durante décadas!
Hoje eu parei um pouco o trabalho, a minha vida virtual, a minha vida real (?), e fui assistir ao show que foi o funeral. Foi o espetáculo que precisava acontecer para celebrarmos o herói-Ãdolo morto. As acusações de pedofilia, as esquisitices pessoais, os problemas familiares, foi tudo suspenso.
O funeral foi sim emocionante, mesmo com alguns momentos hiperbólicos ou postiços demais. O evento marcou, como poucas vezes na história da mÃdia, um acontecimento que fez a Terra parar.
Na verdade, não estava muito atraÃdo pelo show, mas terminei cedendo porque queria fazer parte do acontecimento. No futuro, quando estiver conversando com meus netos – através de seja lá qual for o dispositivo tecnológico que existir – contarei: eu assisti o funeral do rei do pop, nos idos de 2009. Isso, claro, se ainda existir planeta até lá.
Hoje, assim como eu, bilhões de pessoas devem ter parado um pouco da sua vida real (??) para assistir ao show final, ao fechamento de um grande ciclo não só da indústria musical, mas da cultura. Claro, há um pouco de exagero nisso, porque, até a morte do Michael, a única promessa dele voltar com força aos palcos e ao seu reinado era a nova turnê (chamada, convenientemente de This Is It) composta por 50 shows que aconteceriam agora no começo do mês de julho (na verdade começaria amanhã, dia 08 de julho, na Inglaterra).
A figura de Michael, sem sombra de dúvida, marcou uma época e rendeu um legado cultural enorme. Não houve tempo para o que vinha pela frente. As questões sobre sua vida pessoal seguirão sem resposta e a figura do Ãdolo, agora, ganhará ainda mais força.
Morre Michael Joseph Jackson (29 de agosto de 1958 – 25 de junho de 2009), mas seu legado continuará por muito tempo.
E se você ainda não visitou, visite e participe do moonwalk eterno em www.eternalmoonwalk.com.
UPDATE 01 (08/07 à s 00:30h): Algumas imagens vão ficar gravadas desse momento. E acho que esse vÃdeo diz muita coisa:
UPDATE 02 (08/07 às 11:17h): Agora lendo meus feeds no Google Reader vi dois textos em blogs diferentes comentando sobre a morte do Michael, especificamente aqui (no Sedentário & Hiperativo) e aqui no Update or Die).
O primeiro é basicamente um conjunto de perguntas com um link para um vÃdeo que foi retirado do Youtube, mas o tÃtulo é interessante: “Michael Jackson está morto e você é um hipócrita” (infelizmente não consegui encontrar o vÃdeo em nenhum outro link). Mas as perguntas feitas no post já dão o tom:
“Em tom jocoso e sarcástico este vÃdeo é uma crÃtica social e, porque não, uma crÃtica individual. Quão hipócritas nós somos? Você realmente se importa? A morte realmente purifica?” (Leia o texto completo aqui.)
No outro texto, o do Update or Die, o tom é mais ou menos o mesmo:
“Essa é a sociedade do espetáculo. Não existem mais limites entre o show e a tragédia. Tudo é entretenimento a ser consumido por uma sociedade plugada e faminta por espetáculos como este. Nela, o critério de veracidade é o fato de ter sido noticiado e em qual volume. Ok, agora tenho certeza que Michael Jackson morreu!” (Leia o texto completo aqui.)
Alguém ainda tem alguma dúvida de que a sociedade hoje vive, se alimenta e se representa através desses espetáculos? Desde sempre o bizarro, a crueldade, a monstruosidade fez parte do inventário fértil do entretenimento em conjunto. Desnecessário citar os exemplos básicos de algumas sociedades celta, com seus sacrifÃcios, de Roma, com seu Coliseu, do circo de horrores medieval e, hoje, o espetáculo da morte, das celebridades em surto, dos Big Brothers. Somos hipócritas sim! Alguns de nós estão mais anestesiados que outros para perceber o brilho bom da alma humana, mas ainda há a poesia, ainda há mãos estendidas, sensatez. Ficarmos analisando Sociedade hoje com discurso generalizante, monodirecional de forças maniqueÃstas é complicado. Nas palavras de Françoise Sabbah:
“Em resumo, a nova mÃdia determina uma audiência segmentada, diferenciada que, embora maciça em termos de números, já não é uma audiência de massa em termos de simultaneidade e uniformidade da mensagem recebida. A nova mÃdia não é mais mÃdia de massa no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa. Devido à multiplicidade de mensagens e fontes, a própria audiência torna-se mais seletiva. A audiência visada tende a escolher suas mensagens, assim aprofundando sua segmentação, intensificando o relacionamento individual entre o emissor e o receptor.”
Hoje tudo está acontecendo, o bom, o ruim e a grande área de cinza entre as duas coisas. O mundo vive o caos, e isso é tão bom!
































Hiperbólica foi a vida de MJ, nessa última década. Uma pena que o tenham enlouquecido tanto.
E o espetáculo da morte de Michael Jackson continua reverberando nos blogs. Outro update no meu post: http://bit.ly/NMe3o #mj