diante disso, estou toda de orelhas muito eriçadas aqui, captando nossas vidas. queria falar das minhas angústias, mas não sei – que susto, que susto que passei. coisas em conjunto, o conjunto das coisas dispersas, o conjunto das coisas em conflito enviesado, entre materiais e menos materiais, mas incessantes e afeitos ao volteio. tem uma coisa também de falta física de algumas pessoas, de você inclusive. aquela reticência, saudade? saudade? não, saudade é de uma coisa que já tocamos, não é? com a qual já interagimos, poro no poro? a saudade do imaterial, do conceitual, da ficção orgânica, é irrepreensível. mora no direito e no torto.
queria cair fora, sabe, não queria esperar enlouquecer. volto ao ponto de saída: as minhas coisas. semana passada eu nem te disse nada, mas passei dias com o lado direito do rosto tremendo, uns espasmos chatíssimos. que duraram oito dias. quase enlouqueço. aí eu me recolhi na outra casa, me deram de todas as comidas, e aí que vou melhorando. melhorei. pronto, passou o tremor na cara.
boto os pés em casa novamente, que hoje é segunda. família toda aos pedaços, pau e grito e vômito. e eu, tentando fazer o meu de estudar de escrever. fico sem lugar;desterritorializada, vivendo no/o provisório. para você, para você não morrer ainda: quero substituir o medo por outra coisa, ou coisas, ou universos. quero, agora mesmo, substituir o medo da minha falta de estrutura me destruir, quero substituir isso por palavras para escrever nessa hiperinterface, substituir o medo priáptico por amor, por imagens de alegria, afeto, sóis, violetas perfumadas de madrugada, pela ruptura das nossas tensões. quero substituir esse medo da impotência por potência, por idéias de músicas que acho que você deveria ouvir, ou livros que deveria ler. quero agora mesmo me ultrapassar e, nesse espaço impossivelmente imaterial, dar-lhe uma vaga, um alento, uma valsa no meu ombro nu. que assim seja, que assim se faça se assim pensarmos: feito.
amor,
c.
Extase… existência… extatico… insistência… resistência… gozo, vida, amor…
um sorriso. um muchocho. às vezes, quando me sinto só, procuro por meu nome no google e vejo o meu passado.
Uma epístola. Nem todas São Paulo. As humanas, nos deixam em solidão e solicitação, não é necessidade, não é demanda, é desejo.
Desejo de estar para o outro. E do outro estar para si.
Eu acredito, mesmo de peito em chamas, contrição, constrição, que bons desejos se realizam.
Beijos.
ta.
Paulo.
º