Google Translator Toolkit: um grande passo
No dia 09 de junho, o Google disponibilizou uma poderosa ferramenta de tradução, o Google Translator Toolkit. A ferramenta segue o mesmo apelo de outras aplicações do Google: é gratuita, possui ótimas funções colaborativas e tudo é feito online.
Para começar, você acessa a ferramenta com sua conta do Google e dá upload de um arquivo de texto do seu computador para o servidor – ou apenas digita o endereço de alguma página que quer traduzir. O Google Translator Toolkit carrega o texto e, automaticamente, já mostra o original e a versão traduzida automaticamente, lado a lado. A partir daí, o tradutor começa seu trabalho revisando a versão automática.
A aplicação mostra o número de palavras que o texto possui, a percentagem já traduzida e possibilita adicionar comentários a partes específicas do texto. No menu superior existe um botão chamado “show toolkit” que, se pressionado, mostra um outro menu com as opções Translation Search Results, que faz buscas por traduções parecidas, Computer Translation, que dá sugestões para a tradução de certas palavras ou expressões selecionadas no texto ou segmento de texto, Glossary, que é o glossário da tradução e Dictionary, que é um dicionário para consulta.
Veja o vídeo introdutório do Google:
A grande revolução trazida por pelo Google reside na criação de uma ferramenta gratuita online para qualquer usuário, seja ele um tradutor profissional ou amador. A possibilidade de compartilhamento da tradução, que permite enviar o texto para outras pessoas, dá espaço ao que hoje é amplamente discutido e celebrado que é o trabalho colaborativo.
Outro ponto bastante interessante é o uso de uma memória de tradução global e compartilhada (Global TM). A abordagem do Google é agressiva e, claro, aposta mesmo no crowdsourcing (o que é crowdsourcing?), fazendo com que usuários do mundo todo criem um banco de dados de tradução compartilhando as informações uns com os outros automaticamente. É um grande passo para a evolução e a realização de traduções melhores, feitas de forma mais rápida, eficiente e orgânica.
Resta saber se o Google criará memórias exportáveis compatíveis com outros programas profissionais do mercado, como o TRADOS, ou manterão o cloud computing (o que é cloud computing?) como princípio básico nessa nova Web 3.0 que começamos a experimentar (mais mais sobre esse assunto aqui).
Acredito que, pela experiência com outras ferramentas da empresa, a idéia é mesmo dar acesso fácil a todos mantendo tudo online e, além disso, criar na internet um ambiente eficiente para a realização desse tipo de trabalho.
A idéia é ótima e vai impactar no modo como muitos encaram a tradução. Se, por um lado, talvez os tradutores profissionais sejam ainda mais desvalorizados no seu trabalho, por outro, a possível mudança de paradigmas fará com que nós profissionais precisemos nos atualizar e encarar de forma mais inteligente o fazer tradutório, além dos Project Managers, glossários em tabelas de Excel e solicitação de traduções de palavras soltas sem contexto. A estrutura das agências de tradução precisará ser repensada e o Google não pára o desafio por aí, mas isso é assunto para outro artigo.
Não perca tempo e comece a usar agora o Google Translator Toolkit e não deixe de compartilhar o que achou da ferramenta aqui nos comentários.





Fabio em 18/07/09
Só um pequeno e importante adendo ao seu ótimo texto introdutório sobre o Google Translator Toolkit. É a questão da confidencialidade.
Se o texto vai ser processado pelo Translator Toolkit, então supõe-se que ele fique armazenado em algum servidor do Google e seja acessado por outras entidades (em geral computadores, mas talvez também pessoas) além do tradutor. E se o tradutor em questão estiver fazendo uma tradução profissional, a relação contratual entre ele e o cliente impede essa promiscuidade no lidar com o texto. Isso vale principalmente para quem assina contratos de confidencialidade (os conhecidos NDA que a gente assina aos montes por ano para agências de tradução e clientes diretos), mas também para relações contratuais sem NDA.
Imagine, hipoteticamente, se o cliente da minha tradução atual descobre que eu coloquei “no Google” o texto dele sobre a tecnologia que ele desenvolveu na fabricação de válvulas de segurança. Ou imagine (outra hipótese) se a cliente da semana passada descobre que o contrato de compra e venda da casa dela, inclusive os nomes dos envolvidos, o valor da compra e as informações hipotecárias, fizeram uma parada no servidor do Google (e sabe-se lá onde mais e por quanto tempo). Complicado, né?
E se a questão da confidencialidade não estiver claramente estipulada na relação tradutor/cliente, suponho que cliente nenhum, quando perguntado se seu documento é mesmo confidencial ou não, diria que não, “não é confidencial e pode ser distribuído a quantos servidores o tradutor quiser”. Todos vão, naturalmente, querer se proteger.
A ideia da colaboração é ótima, o acesso a um grande banco de dados de tradução melhor ainda (desde que ele tenha alguma espécie de controle de qualidade), mas os problemas de confidencialidade não podem ser ignorados por tradutores profissionais que queiram usar o Google Translator Toolkit para traduções pagas. Para todos os demais tipos de tradutores e para todos os demais tipos de textos, é uma temeridade embarcar na onda do Google Translator Toolkit, pelo menos por enquanto.
Ernesto Diniz em 18/07/09
Sem dúvida, Fabio, a questão da confidencialidade deve ser encarada com total seriedade. A privacidade e as restrições de distribuição de documentos é uma questão não só tradutória, mas, também, jurídica (e tecnológica, hoje em dia).
Creio que o Google Translator Toolkit vai ser importante, nesse primeiro momento, como passo inaugural de uma ferramenta que já existia na internet em outras formas e espalhadas por serviços diversos (tradutor automático, dicionário online, editor de texto online), mas foram concentradas com objetivos e funções mais inteligentes.
O Google usa muito bem o crowdsourcing: eles lançam a ferramenta e esperam os usuários, através do seu uso e feedback, lapidarem a funcionalidade e usabilidade do ambiente. As traduções de Wikipedia, sites não-profissionais, fan sites, fan subs e afins devem ser os primeiros alvos nesse momento.
Talvez com o desenvolvimento do GTT (Google Translator Toolkit), o Google comece a implementar módulos de segurança e compartilhamento fechado de arquivos, com memórias seguras e funcionalidades mais robustas. Talvez.
Outras questões vão surgir com o tempo, até porque combinar essa ferramenta com o Google Wave, que logo será lançado, vai realmente mudar o jeito de trabalhar e se comunicar na internet.
Mais assuntos para artigos futuros. Muito obrigado pelo comentário importantíssimo.
Carol Custodio em 19/07/09
Vou usar o Toolkit para minhas traduções informais e caprichosas.
Nair em 13/08/09
Eu também Carol. Ernesto, essa ferramenta só pode ser utilizada se a língua de origem for o inglês, não é? Eu acessei o site e fui testar a ferramenta, mas ele não dá outra opção de língua de origem.
Um abração.
Abigail em 20/10/09
Ola,
Adorei suas dicas!
Eu preciso fazer um curso de Wordfast e Trados. Estou em São Paulo, será que você me indicaria um professor ou uma unidade que aplique o curso ainda este ano?
Obrigada.
Abigail
Valéria Coronetti em 27/11/09
As dias sobre essas ferramentas são realmente muito legias pra quem trablaha com tradução, é claro que sempre devemos ter cautela e acima de tudo reposnsabilidade com o cliente.
Muito obrigada pela dica!